sábado, 21 de julho de 2007

O Reverso de Aljubarrota - Derrota dos Portugueses em Toro (Castela - 1476)



Em Maio de 1475, cerca de noventa anos depois da derrota de Juan I em Aljubarrota, o rei português Afonso V atravessou com um poderoso exército a fronteira de Castela para reivindicar para si a coroa do país vizinho. Invocava como pretexto a protecção dos direitos da sobrinha Juana, com quem acabaria por celebrar esponsais, e que era filha de sua irmã Joana e do falecido rei castelhano Enrique IV. Do outro lado, a disputar-lhe o trono, tinha ele um casal de primos ambiciosos, cheios de talento e de vontade, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, que mereceriam um dia do Papa a distinção de passarem a ser designados como os Reis Católicos.
No dia 2 de Março de 1476 as esperanças dos portugueses desfizeram-se à beira do Douro, nos campos de Peleagonzalo, próximos de Toro, com uma derrota militar inapelável, não obstante o comportamento valoroso do herdeiro de Afonso V, João, que seria mais tarde o Príncipe Perfeito e que reinaria com dureza e com sabedoria.
A gravura de cima, editada pela Antiga Casa Bertrand - José Bastos, reproduz um dos desesperados episódios da batalha, ainda hoje evocado pelos manuais de história ibérica - o feito do alferes Duarte de Almeida, que acabaria a suportar o estandarte português com os cotos e os dentes, depois de lhe levarem as duas mãos à espadeirada (o alferes teria porém a vida salva pelos inimigos, que o recolheram e trataram até o devolverem ao país natal, onde terminaria os seus dias em condições de herói modesto).
A gravura do meio refere-se ao mesmo episódio e foi publicada, há mais de meio século, num dos cromos da História de Portugal da Agência Portuguesa de Revistas
A gravura de baixo, devida a Francisco de Paula van Halen, fazia parte do Álbum Régio e representa outro aspecto de uma batalha que, sendo perdida pelos portugueses, lhes terá salvo, a prazo, a independência política na Península Ibérica.
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